Macaíba

"Macaíba terra amada/ Histórica é uma beleza/ Filhos ilustres aqui brotam/ Manancial de nobreza/ Desde a sua fundação/ Desse solo, desse chão/ Tidos como realeza."

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Filme: Os Pés de Benedita - Lançamento: 20 de outubro


No dia 20 de outubro, A partir das 19 horas, na Escola Municipal Profº João Faustino, no Distrito Industrial de Macaíba, , tendo como ponto de referência o Restaurante Carne e Queijo. Haverá toda uma programação cultural antecedendo o lançamento do filme Os Pés de Benedita. Os atores do filme são alunos da escola, funcionários, ex-alunos, pais e comunidade escolar. Confira a programação completa:

Programação

19:00  - Abertura
19:10 - Grupo de Dança do SESC
19:20  - Apresentação Musical com João  Maria, Gláucio Câmara, Fábio Augusto e Eliezer Francisco;
19:30  - Lançamento do Cordel de Sebastião Palhares: ABC de Macaíba;
19:40  - Quarteto de Clarinete;
20:00  - Lançamento do Cordel: Caminhos para a liberdade de Miguel Arcângelo Campos;
20:10  - Recital de Hailton Mangabeira;
20:30  - Exibição do Filme: Os Pés de Benedita;
21:20  - Sessão de Fotos; 
21:30  - Encerramento.
 Exposição de cordéis de Boquinha de Mel

Exposição de Xilogravuras de Sebastião Palhares

domingo, 18 de setembro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

Acessibilidade para todos

O constrangimento vivido pela estudante de pedagogia Clarissa dos Anjos Melo, 23, há 15 dias em uma grande casa de shows de Natal, poderá ser considerado ilegal por causa de uma lei municipal que já existe em outras cidades brasileiras. Na semana passada, os vereadores Ney Lopes Júnior (DEM) e Assis Oliveira (PR) apresentaram um projeto de lei na Câmara Municipal do Natal, que garante ao acompanhante de pessoas portadoras de deficiência que façam uso de cadeiras de rodas o acesso gratuito a eventos culturais e esportivos. Atualmente, o projeto está em análise na Comissão de Constituição e Justiça, em seguida irá para as comissões temáticas e deverá ser aprovado em duas discussões, antes da sanção pela prefeita Micarla de Sousa (PV).

O fato inspirador da lei aconteceu no Teatro Riachuelo, uma hora antes do início da peça "Não existe mulher difícil", com o ator Marcelo Serrado. Tetraplégica, Clarissa dos Anjos não consegue se locomover sem ajuda de um acompanhante. Clarissa, sua irmã Camila e o noivo desta, na condição de acompanhante, foram ao teatro assistir a uma peça. O acesso gratuito do acompanhante já tinha sido franqueado pela casa de espetáculos em três outras oportunidades.

Surpreendida pela negativa da semana passada, a jovem cadeirante teve uma crise de choro. "Como eu estava distante da bilheteria, gritei pra ver se o gerente me ouvia e me atendia, e fiquei nervosa porque eu queria ver a peça. Fiquei chateada e depois, chorei", disse Clarissa. O comportamento da estudante causou comoção nas outras pessoas que se encontravam no terceiro piso do Midway Mall.

Teoricamente Clarissa teria direito à lei porque não ocupa nenhum assento do teatro, e sim assiste ao espetáculo em sua própria cadeira. "Nós insistimos. Eles informaram à gente que ela teria que pagar ingresso e que a cadeira ficaria vazia do lado dela. Conversamos com vários funcionários, em vão. Até essa informação chegar pra gente passou-se uma hora. Como não conseguimos entrar, fomos embora",declarou a irmã de Clarissa, Camila dos Anjos Melo, administradora de empresas.

Inspirado na ocorrência, os vereadores elaboraram um projeto de lei que garante a todo portador de deficiência, que necessite de cadeira de rodas, a gratuidade do ingresso para seu respectivo acompanhante em eventos culturais, esportivos e de entretenimento, organizados por pessoas de direito público, privado e/ou filantrópico. "O cidadão que tem algum tipo de deficiência é um cidadão como outro qualquer, e muitas vezes eles precisam que o poder público e privado possibilitem meios para mais acessibilidade. Não há diferenças. É comum que esses direitos, bem como dos idosos, mulheres, sejam negados", ressaltou um dos autores do PL, o vereador Ney Lopes Júnior.

Segundo o vereador, o acompanhante está ali para que possa ser garantido o direito de se locomover do cadeirante. "Ele só irá a qualquer espetáculo se tiver ajuda de alguém, e não pode pagar em dobro em detrimento de um cidadão que tem direito". Uma das preocupações dos autores da lei é com o mau uso do futuro benefício. "O ingresso do acompanhante é pessoal e intransferível. Essa medida tem objetivo de evitar má-fé, pessoas que se aproveitem dos cadeirantes e queiram entrar nos eventos gratuitamente", explicou Ney Júnior.

Fonte: Diário de Natal

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O folclorista Severino Vicente no Conexão Potiguar

Da Redação do PN

O presidente norte-riograndense de folclore, Severino Vicente, foi entrevistado pelo
jornalista Pinto Júnior na tarde de quarta-feira (24) no Conexão Potiguar.

Severino Vicente falou a respeito do seu livro “Folclore e cultura popular nas práticas pedagógicas”, da cultura folclórica e de sua estima pelo escritor Luís Câmara Cascudo.

Segundo ele: “O livro trata das novas conceituações de folclore, das culturas populares,além disso, é um livro feito para todo o país”.

Durante a entrevista, Severino Vicente, disse que o folclore não era estático. “Ele (o folclore) é uma ciência e como tal está sempre em transferência”, afirmou.

O escritor deixa claro também sua apreciação por Câmara Cascudo, segundo ele “tudo,
no Rio Grande do Norte, começou com Cascudo e terminou com Cascudo”.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Na corda do verso

Yuno Silva
repórter

Presente no cotidiano do nordestino desde o passado remoto, a literatura de cordel resiste ao tempo e continua sendo produzida com as mesmas características que a tornaram popular em feiras livres espalhadas, principalmente, por municípios do interior da região Nordeste.

Foto: Alex Régis
A relegada Poesia popular ganha espaço esta semana com lançamento da Caravana do Cordel, no IFRN, e lançamentos de livros como O Verso e o Briefing, de Clotilde Tavares

No mês dedicado ao folclore, uma série de eventos devem evidenciar ainda mais os livretos de origem Ibérica que eram comumente pendurados em cordas, cordões ou cordéis - daí o nome dessa forma primitiva de mídia, que fazia, e ainda faz, as vezes de rádio, televisão e jornal em muitos lugares.

A maratona de poesia popular começa amanhã, às 18h, na livraria Siciliano do Natal Shopping, com o lançamento do livro "O verso e o briefing - A publicidade na literatura de cordel" (Jovens Escribas), da escritora Clotilde Tavares; já na sexta-feira (26), durante todo o dia, o IFRN-Cidade Alta abre as portas para a Caravana da Casa do Cordel, que realiza extensa programação gratuita e aberta ao público a partir das 9h.

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A chegada do cordelista Zé Saldanha no céu


O evento, que contará com a presença da Ministra da Cultura Ana de Hollanda, em Natal para conhecer a brinquedoteca e o museu do brinquedo instalados no IFRN-Cidade Alta, marca o lançamento oficial do projeto itinerante que já passou pelos municípios de Florânia e Monte Alegre, com oficinas de cordel e xilogravura, sarau poético e palestras na bagagem. A iniciativa da Casa do Cordel reflete a força que a literatura popular ainda tem no RN, um fato comprovado na lista dos projetos selecionados pelo edital "Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 - Edição Patativa do Assaré", do Ministério da Cultura, onde potiguares figuram com destaque nas sete categorias. Entre os contemplados no edital do MinC está o poeta mossoroense Antônio Francisco, ocupante da cadeira 15 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, cujo patrono é Patativa do Assaré.

Cordelista ambulante

O Poeta Silva, que estará presente no lançamento da caravana, traduz com propriedade a essência desse universo.

Manoel dos Santos Silva, 61, é um ambulante diferente: ele não vende doces, nem bebidas ou salgadinhos, muito menos acessórios para celular ou cópias de filmes hollywoodianos, seu produto é poesia - e vive exclusivamente disso há seis anos. "Trabalhava como garçom, e, a partir de 1990, nas horas vagas, comecei a vender meus cordéis na rua", informa o poeta, cujo principal ponto de venda é a passarela do Natal Shopping. "Todo mundo me conhece lá, sou o Poeta Silva da passarela", diverte-se o senhor de fala mansa e consciente da importância de se manter a tradição.

"Comecei a me interessar pela literatura popular aos 13 anos, quando meu pai me levava para ver as cantorias na cidade de Pedro Avelino", recorda Silva. Natural de Touros, o "poeta do mar colonial" passou a escrever instintivamente em 1986. "Só fui aprender a métrica das rimas agora, em 2009, quem me ensinou foi Deus", garante.

Questionado sobre a receptividade das pessoas, diz que enfrenta muita "turbulência": "Tem gente que não dá valor, não aceita nem um bom dia ou boa noite. Estou vendendo cultura, não aceito preconceito!", avisa. Pai de seis filhos, cinco vivos, Silva é um otimista e revela que um dia pretende ter sua banquinha pra vender os livretos que ele mesmo escreve e manda imprimir. "Ando muito o dia inteiro e estou ficando velho, às vezes me canso". Trabalha todos os dias até às 23h, limite de horário para pegar o último ônibus até sua casa no bairro de Nossa Senhora da Apresentação, na zona Norte da capital potiguar.

"Lembro que em setenta tinha muito cordel aqui no RN, em oitenta começou a desaparecer e em noventa quase acabou de vez. Só quem vendia era Seu Francisquinho na Feira do Carrasco, Quintas. Foi aí que comecei a fotocopiar minhas poesias", contou o ex-garçom do hotel Ducal e Samburá: "Até hoje faço meus bicos, tenho guardado em casa a farda, paletó e sapato", garante. Ele diz que atualmente vende bem menos cordéis que em 2006 devido a concorrência. "Já me chamaram pra vender DVD pirata, mas vejo amigos serem humilhados e prefiro continuar com meu negócio", disse. Sobre a preferência, revela que o público prefere mesmo são os versos picantes. "O povo quer é piada pesada, perjorativa, sacanagem. Mas cordéis sobre o cangaço também sai muito", finaliza.

Serviço

Quinta, 25 - Lançamento do livro "O verso e o briefing - A publicidade na literatura de cordel" (R$ 25), de Clotilde Tavares. Amanhã, às 18h, na Livraria Siciliano do Natal Shopping. Clotilde participa de bate-papo sobre a publicação na próxima segunda-feira (29), às 19h, no auditório da UnP da Floriano Peixoto, Petrópolis.

Sexta, 26 - Caravana da Casa do Cordel, das 9h às 22h no IFRN-Cidade Alta. Programação aberta ao público e gratuita: oficinas de cordel e xilogravura, sarau poético, apresentações musicais, lançamento de livros e CDs, feira de artesanato, palestras e exposições.

Casa do Cordel homenageia Zé Saldanha

Se depender de Abaeté do Cordel, que há quatro anos mantém em funcionamento a Casa do Cordel no centro de Natal, a concorrência de cordelistas vai aumentar. Autor de mais de 500 títulos, sem falar de outras centenas de livretos produzidos sob encomenda, Abaeté está à frente da Caravana da Casa do Cordel, iniciativa que pretende percorrer município do interior do RN com um pacote de atividades que incluem oficina de cordel e xilogravura, sarau poético e palestras. "Fazemos esse trabalho nas escolas de forma independente. Os professores gostam do cordel por ser mais simples repassar o conteúdo aos alunos por causa da métrica e da rima", informa Abaeté, que já passou com sua caravana por Florânia, em maio, e Monte Alegre, em julho.

De acordo com ele, há 36 modalidades de rimas: "Martelo agalopado, sextilhas, decassílabos, repente, oitava, nona...", enumera o poeta. Apesar do pouco tempo em atividade, a Casa do Cordel atende clientes de outras partes do país e chega a exportar seus livretos para os Estados Unidos, França e Alemanha. "Recebemos encomendas de Minas Gerais, São Paulo, Brasília, Salvador, Fortaleza e Santa Catarina. Como temos uma pequena gráfica própria, fica mais fácil publicar nossos livretos", comemora. Ao todo a Casa do Cordel reúne cerca de cinco mil títulos de vários autores. "Vamos criar por aqui o Canto do Poeta Zé Saldanha como forma de homenagear um dos maiores poetas populares que viveram aqui em Natal", diz apontando para uma parede - Saldanha falaceu há pouco mais de uma semana aos 93 anos.

Abaeté lamenta o fato do Agosto da Alegria não incluir a Casa do Cordel na programação. "Meu filho, Erick Lima, é a maior referência em xilogravura do Estado, quem sabe do Brasil, e só entraram em contato conosco para perguntar se queríamos participar de uma feira".

Entre os assuntos que ilustram os livretos, ou folhetos, há temas recorrentes como o cangaço, política, saúde, educação, trabalho, casamento, entre outros, e todos incluem o humor na fórmula. "O Brasil é o único país que ainda produz cordel, principalmente no Nordeste", afirma Abaeté.

A literatura de cordel e a publicidade

A afirmativa de Abaeté do Cordel é reforçada pela escritora e dramaturga Clotilde Tavares, que lança "O verso e o briefing - A publicidade na literatura de cordel" (Jovens Escribas) amanhã, às 18h, na Livraria Siciliano do Natal Shopping. "Somente no Nordeste do Brasil se produz o cordel da forma que conhecemos", garante Tavares. Seu livro é o desdobramento de uma palestra apresentada em 2008 na Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo, "mas não se trata de um texto acadêmico", avisa a escritora.

"Recebi o convite para preparar essa palestra traçando um paralelo entre a literatura de cordel e a publicidade. Já escrevi muito cordel sob encomenda, inclusive para peças publicitárias. No início do século 20 as informações chegavam em cidades do interior através do cordel, era o único meio de informação, e até hoje o aspecto jornalístico continua. Um bom exemplo disso foi a morte do Bin Laden, no dia seguinte já tinha cordel circulando com a notícia", reforça."As pessoas querem saber das notícias com a linguagem que conhecem e a literatura popular é um excelente meio de comunicação", aposta.

domingo, 21 de agosto de 2011

Lançamento da Caravana do Cordel


No mês de agosto, o IFRN Campus Cidade Alta será palco do lançamento oficial da Caravana Casa do Cordel, projeto itinerante que sairá pelos munícipios do Rio Grande do Norte apresentando diversas expressões da cultura popular da região. A volante do cordel é quem comanda a programação, que contará com palestras, lançamentos de livros e cds, oficinas de xilogravura e cordel, teatro de João Redondo, sarau poético e apresentações culturais.

A cultura popular do RN é muito rica, mas vem perdendo sua identidade e memória em detrimento de outras formas de expressão, bastante incentivadas pela mídia, que tem uma grande influência no público consumidor da cultura de massa.

Preocupado em resgatar uma parte importante de nossa história cultural e motivado pela carência da oferta de lazer e entretenimento aos municípios do Estado, este projeto propõe resgatar, fomentar e divulgar a arte da literatura de cordel, da xilogravura e outras tradições da cultura popular, no intuito de reacender o interesse pela riqueza e memória cultural do Rio Grande do Norte.

Partindo da premissa que “a arte nasce do povo”, nasce o desejo de interagir culturalmente com o próprio povo através dessas manifestações, para que haja sempre na expressão popular, o sentimento da arte de um modo geral e, ao mesmo tempo, mantenha viva a cultura do povo em seu cotidiano, contribuindo para ampliar os conhecimentos intelectuais, cooperando para o processo da redescoberta da arte, da cultura e da cidadania e manifestar a inclusão cultural.

Neste sentido, é preciso despertar o interesse pelas manifestações culturais locais, divulgando-as como oportunidade de fortalecimento da identidade comunitária e da valorização de suas raízes.

O lançamento do projeto Casa do Cordel em Caravana acontece na sexta-feira, 26 de agosto, com extensa programação aberta ao público das 9h às 22h, no IFRN Cidade Alta, Av. Rio Branco, 743.

PROGRAMAÇÃO

9h – Abertura

*Feira de cordéis e artesanato e chegada do grupo Folia de Rua.

*Lançamento do livro Histórias e memórias de um potiguar, de Malaquias José de Farias.

10h – Palestra

*A importância da cultura popular na educação, com Mery Medeiros, Drº Arnildo Albuquerque e Gutenberg Costa.

11h – Homenagem e intervenção

*Homenagem ao poeta Zé Saldanha.

*Intervenção poética com Manoel Cavalcante, Juarez Araújo, Emanoel, Rosa Regis, Hegos, Conceição Gama e Sírlia Lima.

14h – Oficinas

*Xilogravura, com Erick Lima.

*Cordel, com Manoel Azevedo e Abaeté.

17h – Teatro e poesia astral

*Teatro de João Redondo, com Genildo Mateus.

*Astrologia poética, com Malaquias José de Farias.

18h – Cerimonial

*Abertura do lançamento do projeto: Com Abaeté, José do Egito, Antônio Lima, Drº Arnildo Albuquerque, Mery Medeiros e representante do IFRN.

19h – Música e poesia

*Lançamento do CD Saudade da minha terra de Tonha Mota.

*Sarau poético com os poetas Ivan do cordel, Juarez Araujo, Neto Braga, Hailton Mangabeira, Zé Acaci e Antônio Francisco.

20h – Encerramento

*Zé Martins e Banda Fibra de Coco.

Cortejo cultural pelas ruas de Natal

Com o intuito de levar a cultura popular aos bairros da cidade, o projeto Agosto da Alegria promove o cortejo "Celebrando a Cultura Popular nos Bairros de Natal". O cortejo percorrerá, de 22 a 25 de agosto, sempre às 15h, os bairros das quatro zonas de Natal. O Agosto da Alegria é um projeto do Governo do Estado, promovido pela a Secretaria Extraordinária da Cultura/Fundação José Augusto em parceria com entidades públicas e universidades. "Celebrando a Cultura Popular nos Bairros de Natal" conta também com o apoio da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (Seec).

Irão se apresentar grupos folclóricos de dança, teatro, bandas, baterias de escolas de samba, quadrilhas, entre outros. Grande parte das atrações é oriunda das Escolas Estaduais, Municipais e Particulares, Associações, Conselhos Comunitários, Clubes de Mães e Igrejas Católicas e Evangélicas.

O primeiro cortejo cultural acontece nesta segunda-feira (22), na Zona Norte da cidade. A concentração será na Praça dos Coqueirais, no Conjunto Santa Catarina, seguindo pela Avenida Florianópolis, Rua Ilhéus com destino a Praça de Eventos próxima a Escola Iapiçara Aguiar.

O cortejo prosseguirá com suas apresentações no dia 23, nas ruas da Zona Sul, com saída da Avenida das Alagoas, Neópolis (próximo a Yellow Vídeo), seguindo pela Avenida Ayrton Senna, Rua da Conquista, Rua Coparão, Rua Barbacena retornando pela Avenida das Alagoas até a Praça Tarcisio Maia;

No dia 24, o cortejo cultural irá invadir as ruas da Zona Oeste, com saída da Escola Municipal Joaquim Honório, seguindo pela Rua Baraúnas, Rua dos Pegas, Mercado das Quintas com destino a Rua São Geraldo.

A série de cortejos se encerra no dia 25, nas ruas da Zona Leste com saída da Escola Estadual Izabel Gondim - Rocas, seguindo pela Rua Pereira Simões, Rua do Areial, Rua Miramar até a Praça do Pescador na Praia do Meio. O cortejocontará, ainda, com a participação de grupos de dança, teatro e bandas filarmônicas de vários municípios.

Fonte: Tribuna do Norte

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Gutenberg Costa


Pesquisador, escritor, historiador, folclorista e conferencista. Estas são algumas facetas de Gutenberg Costa, nascido em Natal, no dia 8 de agosto de 1959. Sua paixão pela cultura popular remonta à infância, quando manteve os primeiros contatos com emboladores de coco e cantadores de viola, nos períodos de férias, em Pendências/RN.

Hoje, atua como sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, da Academia Mossoroense de Letras/RN, da Comissão Paulista de Folclore/SP, do Instituto Memória de Canindé e do Instituto Marrocos de Estudos Sócio-Culturais/CE. Integra o corpo de estudiosos da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC).

O escritor é membro de várias instituições científicas nacionais: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN), Associação Estadual de Poetas Populares - Seção Natal e a Comissão Norte-rio-grandense de Folclore (CNF).

Possui 19 obras publicadas, dentre elas: "Natal: Personagens e Populares" - Edição Especial comemorativa ao 4º Centenário da Cidade do Natal; "A Presença de Frei Damião na Literatura de Cordel" - Homenagem ao Ano do Centenário de Nascimento de Frei Damião; e, a mais recente, "Presença do Folclorista Câmara Cascudo na Literatura de Cordel", que mereceu a Menção Honrosa no Concurso Nacional Câmara Cascudo.

Os próximos livros a serem publicados são: "Dicionário do Papa-Jerimum - Apelidos e pseudônimos do Século XVII ao XXI" e "Frei Damião: Algumas referências bibliográficas" (Em parceria com Mário Souto Maior).

Prêmios literários:
- 1º lugar no Prêmio Manoel Ferreira Nobre, 1998. Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.
- Menção Honrosa no Prêmio Nacional Câmara Cascudo, 1998. Fundação Capitania das Artes.
- Troféu Caju pelo conjunto de sua obra referente à cultura popular, 1998. Promotor cultural Lula Belmont.
- Prêmio Direitos Humanos na Área de Folclore, 1998. CDHMP.

Sobre Gutemberg Costa:

Aluízio Mathias, poeta e escritor
Falar do escritor e pesquisador Gutenberg Costa é contar a sua trajetória incansável pela Cultura Potiguar. Gutenberg Costa trilha pelos caminhos da Literatura de Cordel, do Cangaço, da História das Lutas Populares do Nordeste, do Folclore e da Religiosidade Popular. Publicou inúmeros artigos em vários jornais e revistas especializadas sobre esses temas. Proferiu palestras em vários Seminários e Encontros Culturais, a convite de instituições do país afora. Criou, em 1994, juntamente com o Prof. Adrovandro Claro, o Projeto "Mandacaru" - edições de poesias de cordéis. Quando esteve na Fundação José Augusto, em 1995, idealizou o Projeto "Chico Traíra", criando condições para a publicação de trabalhos inéditos de cordelistas potiguares. Ainda em 1995, foi eleito Conselheiro Municipal de Cultura, em Natal. Foi consultor do Projeto "Poesia Circular II", indicando poetas populares e trovadores para aquela fase de edição do projeto em 1996.

Ático Vilas-Boas da Mota, presidente da Comissão Nacional de Folclore
Gutenberg pertence à geração dos novos expoentes potiguares dispostos a darem continuidade à obra dos seus coestaduanos - ilustres e prodigiosos - no afã de não deixarem no limbo do esquecimento o legado de nossa cultura popular, o qual, sem o cuidadoso zelo de sua parte e dos seus pares, estaria totalmente condenado à poeira do tempo.

Dorian Gray Caldas, artista plástico e poeta
São inúmeros os estudiosos do cordel em nosso país, principalmente, os jovens das universidades desenvolvendo teses e estudos comparativos das abrangências do cordel das mais diversas especificidades. Destaco, em nosso Estado, estudos da importância dos de Gutenberg Costa. Ressaltamos, também, a contribuição de Veríssimo de Melo... e não esquecendo nunca a contribuição maior de Câmara Cascudo na abrangência de seus "Cinco Livros do Povo" e do "Dicionário do Folclore", obra maior da nossa formação étnica e antropológica."

Gutemberg Costa, além de inúmeros artigos publicados em revistas e jornais, já publicou, na área do Folclore, Gota de sangue num mar de lama (1992), Profetas do Nordeste (1994), Zumbi 300 anos depois (1995), O cangaceiro Antônio Silvino e sua presença no Rio Grande do Norte (1996), O riso da batina - anedotário histórico, folclórico e religioso da terra potiguar (1996), A presença de Lampião na literatura de cordel (1997), A presença de Frei Damião na literatura de cordel (1998), Santa Luzia e os olhos na religiosidade do Folclore (1998), A influência do cangaço na música popular brasileira (1998), Santo forte e lembrado, povo curado (1999) e Padre João Maria - o santo de Natal na literatura de cordel (1999).

Fonte: www.onordeste.com

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Entrevista >> Deífilo Gurgel - Por Sérgio Vilar

A brisa areiabranquense moldou a personalidade infantil de Deífilo Gurgel. Mas brotou dos serrotes verdejantes de Caraúbas o alumbramento poético adolescente. A sensação de vislumbre diante daquelas elevações e depressões distintas da paisagem plana de Areia Branca permanece mesmo aos 85 anos. Um dos maiores folcloristas vivos do Brasil gosta da volta ao passado. Recita poesias longas de Ferreira Itajubá, todas elas carregadas de nostalgias. A memória de Deífilo talvez seja tão prodigiosa quanto o seu conhecimento do folclore; tão intensa quanto a sua humildade e frieza quando encara os auspícios da alegria ou as armadilhas da tristeza. Na sobriedade característica, encara a velhice com alguma indiferença. Força a vitória contra as limitações da idade. O caminhar já se faz difícil. Quando se levanta, comenta: "É preciso equilíbrio. Estou igual aqueles prédios que balançam, mas não caem". E estabelece metas, sonhos para um futuro nem tão próximo. No alongado dos dias presentes, mantém a companhia do seu maiorinstante de euforia vivido: a mulher Zoraide. Além da visita constante dos nove filhos. Mas Deífilo é pai de muitas outras crias. Três delas talvez formem a "santíssima trindade" do folclore potiguar: a romanceira Militana Salustino, o coquista Chico Antônio, e o mamulengueiro Chico Daniel. E se é contra o natural dos acontecimentos o pai ver seus filhos morrerem, este filho legítimo do folclore assiste diariamente a decadência da arte popular, do folclore que o adotou já aos 44 anos. E desde então se tornou seu herdeiro mais legítimo.

Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press

Muito se foi dito a respeito das suas descobertas no folclore, sobretudo de Dona Militana, Chico Antônio e Chico Daniel. Qual foi a mais gratificante?

Sim, dei muito mais entrevista do que mereço. Além desses três, redescobri Fabião das Queimadas e um romance cantado por ele desconhecido até então, chamado Cavalo do Moleque Fogoso. Mas o mais gratificante talvez tenha sido Chico Antônio porque foi uma completa surpresa. Maria José (dona Militana), eu já desconfiava porque tinha entrevistado o pai dela, que me cantou dois romances muito bons. Quando Mário de Andrade escreveu em seu diário a vida de Chico Antônio, cantando côco e bebendo sem parar, pensei que ele fosse se acabar logo, mas morreu com mais de 90 anos. Agora, a figura mais importante para a cultura é Militana.

Romanceiro Potiguar - fruto de pesquisa de mais de 10 anos - será lançado quando?

Segundo João Faustino me informou (o senador solicitou verba federal para publicação de quatro livros em parceria como a Academia Norte-rio-grandense de Letras) deve ficar pronto entre setembro e outubro. E como disse Mário Andrade em resposta a Manoel Bandeira, que perguntou qual o folclore mais importante que ele viu, o RN, disse ele.

O RN é detentor de uma cena rica do folclore. O senhor, um pesquisador nato reconhecido nacionalmente. Deífilo Gurgel pode ser considerado o maior folclorista vivo?

Um dos maiores. O professor Bráulio Nascimento, da Paraíba, que vive no Rio desde rapazote, e o paulista Américo Pellegrino Filho são muito bons. Bráulio tem pesquisa vastíssima sobre o romanceiro ibérico e nacional. Américo se debruça mais sobre esse folclore mais novo. E tem outros mais.

Dos cerca de 200 romances catalogados, uns 100 chegaram ao Brasil. Desses, o senhor descobriu uns 40. Quantos o Bráulio descobriu?

De raspão ele toca em quase todos eles, principalmente os romances ligados aos bois.

Esse livro do Romanceiro será o seu último?

Penso na segunda edição do meu livro de poemas, acrescentando alguns inéditos. E também a segunda edição do Espaço e Tempo no Folclore Potiguar. De repente pela Fundação José Augusto.

O senhor trabalhou em várias gestões culturais. Qual delas prestigiou mais o folclore?

Quando cheguei, tinha saído Franco Jasielo e entrou Sanderson Negreiros, sem muito interesse pela cultura popular. Depois veio Evaristo Leão, um professor de educação física que não fez p*... nenhuma pelo folclore. Depois, Valério Mesquita: fez alguma coisa, sem muito destaque. Seguido por Paulo Macedo, também sem interesse. Cláudio Emereciano também não. Iaperi talvez tenha sido o melhorzinho. Mas foi João Faustino quem realmente trabalhou pelo folclore.

Até hoje falta concretizar o espaço Xico Santeiro...

De uns tempos pra cá, desde aquelas nossas primeiras conversas, pensei no seguinte: esses grupos têm um repertório incrível. Há dez anos, por exemplo, filmei três horas de brincadeiras e cantorias da Chegança. Quem hoje tem saco para ver isso? Não assistem nem mais TV durante esse período. Ninguém entende mais o significado daquilo. Folclore precise de leitura.

Esse espaço não seria então um local de resistência?

Seria uma boa um espaço assim e um corpo de auxiliares que me ajudassem na revisão disso tudo. Em vez de 27 cantorias da Chegança, por exemplo, cantariam cinco. Em vez da apresentação com 40 figurantes do Fandango, só 20. E um microônibus deslocaria essa gente pelo interior e casas de cultura. Seria uma maneira de manter vivos os grupos, as casas de cultura e o folclore.

E há alguns resistentes...

Chico Daniel foi inegavelmente o maior mamulengueiro, mas o filho dele, Josivan, está aí. Mas é um cara que precisaria ser bem pago para continuar sua arte. Severino Guedes, do Bambelô Asa Branca, no Alecrim, morreu, seus filhos tentaram manter, mas desistiram; seguiram a religião evangélica: um sumidouro para o folclore. Se tivessem recebido incentivos talvez tivessem permanecido. Faz um tempo, vieram dois pernambucanos documentar o Fandango e Chegança de Canguaretama. Isaura (Rosado) me disse que assistiu uma apresentação de um grupo mirim de Fandango em Pernambuco. Só pode ter sido influência desse trabalho feito no Rio Grande do Norte. É questão de planejamento. Mas pra eu pensar tudo só, é de lascar (boceja, quando eram 21h).

E rotina: faz exercícios?

Faço exercício no quarto mesmo, quando acordo: uns exercícios respiratórios, uma flexões nas pernas, nos braços. Inclusive tenho uma bursite no braço - ô nome feio da p*..., ne? (risos).

E alimentação: conserva os hábitos interioranos?

Nos tempos de jovem eu fazia compra naquele mercado da Cidade Alta que pegou fogo. Comprava carne de gado, umas costelas com dois dedos de gordura. Eu cortava a gordura, parecia um queijo, aí comia pura. Isso me rendeu uma ponte de safena e duas mamárias. Mas foi há dez anos. Desde então, nunca mais. Hoje como principalmente frutas. Tenho meus 50 e poucos quilos. Mas meu peso nunca passou de 70.

A velhice é mesmo a chamada melhor idade?

Fico admirado de estar vivíssimo com 85 anos. Meu pai morreu com 64 com câncer no pâncreas. Minha mãe morreu com 77 de velhice. E do jeito que estou vivo e estribuchando, vou durar mais um bocado (risos). São raros os da família com mais de 80. Só meu avô paterno, que durou mais de 90 anos, mas era aquela vida no Sertão, né?

Quais foram os estresses?

(Olha para Carlos Gurgel, à frente, e ri) Foi desobediência. Esses danados (os filhos)... eu falava o que era o certo, mas insistiam em desobedecer. Mas cresci e evolui. Cansei de dizer o que é certo e errado. Não vim ao mundo para julgar, mas para tentar compreender meus semelhantes. Convencer o outro de que o melhor é o ABC ou o América é besteira.

São nove filhos. E a TV?

(Risos) Quando fiz os cinco primeiros, não tinha TV. Todo ano era um. Depois foram de três em três anos. E aí foram mais quatro.

Qual a maior alegria na vida?

Sei nem lhe dizer. Sou muito frio, sem muitas expansões pra essas coisas: nem para alegria nem para tristeza. Quando meu pai faleceu, fui ao sepultamento em Mossoró. Os outros filhos choravam, mas eu não sentia vontade. Com minha mãe,também. Mas quando descobri Zoraide pela primeira vez, fiquei emocionado, admirando a beleza dela. As amigas diziam que era a mulher mais bonita da cidade. E eu, um provinciano que veio do oco do mundo, iria conquistar? Mas depois de muito assédio, conquistei a rainha.

E a maior decepção?

Sou um cara que me acomodo muito com os percalços da vida. Mas o meu primeiro emprego veio quando passei em primeiro lugar entre 120 candidatos no concurso público para cargo de datilógrafo no Ipase. O gerente, Jurandir Cerri, viu meu interesse no serviço e fui promovido. Quando Getúlio Vargas foi deposto, o gerente eleito foi Eurico Dutra. Ele esculhambou o Ipase, quando eu já era delegado lá, e me substituiu por um contínuo do partido político dele. Eu nunca tive partido na vida. Aí fiz uma representação direta para o presidente Alcides Carneiro, da Paraíba. A resposta foi dez dias de suspensão. Não contei conversa e pedi demissão depois de oito anos no Ipase. Depois fui ser caixa no Banespa, onde passei 17 anos (nesse período, Deífilo se forma em Direito, em 67). Mas lá também pedi pra sair. Eu era meio doido nessa época. E me vi cinco meses desempregado, casado e com cinco filhos.

Foi quando a cultura o salvou?

Eu morava em uma casinha humilde em Areia Preta. Estava sentado em um banquinho próximo à Praia da Jangada, conversando com Zoraide sobre a vida, e João Faustino me aparece dizendo que tinha sido nomeado pra secretário de cultura na administração de Ubiratan Galvão e me convidou para ser diretor de promoções culturais, ganhando até mais. Não pensei duas vezes.

Qual sua ligação com a cultura e com João Faustino?

Edson Maranhão, pai de João Faustino, foi assessor jurídico no Ipase. Era amigo meu. E conheci João ainda menino de calça curta. Ele acompanhou a publicação de meus poemas nos jornais e resolveu me convidar. Minha função na secretaria era promover a cultura erudita e popular, mas me virei totalmente à arte popular, que não tinha praticamente nada a respeito. Cascudo só publicou o primeiro livre sobre folclore em 1949! (Sobre Vaqueiros e Cantadores).

Como os trabalhos iniciaram?

Já era 1970. Djalma Maranhão havia sido deportado há oito anos. No governo dele aconteciam grandes festivais de folclore. Nunca me interessei. Quando fui trabalhar com João, a mulher do governador Cortez Pereira, Aída Cortez, resolveu promover uma festa natalina com várias apresentações dos grupos tradicionais dos antigos festejos promovidos por Djalma. E eu fui o encarregado disso. Chamei o senhor Joaquim Caldas Moreira, braço direito de Djalma naquela época, para arregimentar esses grupos. Quando vi a primeira apresentação, do boi de reis de São Gonçalo, veio meu interesse. Me cerquei de uma biografia razoável e me aprofundei no estudo do folclore.

E a ligação com a poesia?

Trazemos do berço. Em Areia Branca eram aquelas águas desaguando no oceano: uma paisagem muito plana. Eu já sentia alguns pluridos poéticos, mas pela pouca idade e falta de orientação, não me arrisquei. Quando eu ia de férias à casa do meu avô em Caraúbas, já com10 ou 12 anos, ficava encantado com aquela natureza, aquelas serras. Eu ficava na calçada do meu avô olhando aquilo tudo. E lá não passava automóvel, só carros de boi, jumenteiras. E escrevia meus primeiros poemas: "Da esquina da rua do meu avô/ eu via o trem de carga do Patu/ que passava por trás do sítio de seu Joaquim Amâncio/ lançando na calma tarde sertaneja/ o seu apito longo e dolorido/ e lançava no meu coração doente de menino/ as primeiras sementes de poesia". Muita coisa da minha poesia, até hoje, são evocações de minha época de menino.

A poesia vem de Caraúbas e...

Tem uma frase de poema meu que sintetiza bem isso: "Onde termina o real; onde começa a poesia". (E cita um poema) Era ali que começava a poesia em mim.

Fonte: Diário de Natal

domingo, 14 de agosto de 2011

Sociólogo defende ensino da literatura de cordel nas escolas de ensino fundamental e médio

A literatura de cordel tem um papel fundamental na história do Brasil, mas esse gênero ainda é muito desconhecido, lamenta o professor de sociologia Fernando Antônio Duarte dos Santos, o Nando Poeta. Ele coordenará, no próximo dia 27, o 1º Fórum de Cordel em São Paulo, que reunirá acadêmicos, pesquisadores e poetas para debater a importância do ensino dessa arte nas escolas de ensino médio e fundamental.

Nascido no Rio Grande do Norte, Nando Poeta leciona há quatro anos em uma escola estadual da zona sul da capital paulista. Ele é um dos defensores dessa difusão cultural. “O cordel ainda é muito excluído da academia, com algumas exceções, a exemplo da USP [Universidade de São Paulo], que tem uma cadeira para o estudo.” Segundo o professor, mesmo no Nordeste, os espaços ainda são muito fechados.

Para Nando Poeta, o fato de a literatura de cordel estar muito direcionada às temáticas sociais torna ainda mais importante a ampliação de espaços para o ensino desse gênero.

De acordo com o professor, uma das obras de cordel mais requisitadas é a de autoria de José Pacheco: A Chegada de Lampião no Inferno. Um dos trechos diz: “Um cabra de Lampião/Por nome Pilão Deitado/ Que morreu numa trincheira/Em certo tempo passado/Agora pelo sertão/Anda correndo visão/Fazendo mal-assombrado.”

No cinema, o cordel também foi adotado em trabalhos como O Homem que Virou Suco, filme brasileiro de 1981, dirigido por João Batista de Andrade, e Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha.

Da Agência Brasil

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Morre o cordelista potiguar Zé Saldanha

Por Marília Rocha


"Ele contava a vida em prosa e verso". É assim que a família de José Saldanha Menezes Sobrinho, o Zé Saldanha fala sobre o poeta potiguar conhecido por seus cordéis criativos que morreu na tarde desta terça-feira (9), no hospital São Lucas em Natal vítima de complicações após cirurgia do intestino delgado.

Zé Saldanha estava internado há trinta dias, após ter dado entrada na UTI para fazer uma cirurgia de emergência no intestino. Com um estilo de vida "feliz", Zé Saldanha comentava que gostava tanto de viver que queria "emendar uma vida na outra" para não deixar de protagonizar a vida.

De acordo com informações do genro de Zé Saldanha, Felizardo França, o poeta morreu por volta das 15 horas e deve ser velado no Morada da Paz de Emaús, na capela central a partir das 19h até as 11 horas da manhã da quarta-feira (10), horário em que o poeta será enterrado.

Felizardo conta que a família está abalada, mas tem recebido com alegria as homenagens feitas ao poeta de 93 anos. "Eu nunca tinha visto tanta gente no hospital, ligando e querendo saber dele", afirma o genro.

Uma grupo de amigos de Zé Saldanha está reunido em Natal para prestar as primeiras homenagens ao cordelista que deixa 7 filhos, 23 netos e 8 bisnetos.

Em conversa com o portal Nominuto.com, o genro de Zé Saldanha contou que aos 81 anos o poeta resolveu fazer cursos de infromática e aprendeu a digitar seus textos no computador. "Ele era um exemplo de superação, que podia vencer tudo e conquistar o que quisesse", conta emocionado Felizardo.

Zé Saldanha
Nascido e criado na Fazenda Piató, em Santana dos Matos, o poeta tinha os pés no interior do Estado e conservava o espírito jovem com observação do cotidiano nas mais de 300 publicações prórpias.

Saldanha publicava anualmente almanaques (livretos onde o cordelista faz previsões sobre o tempo, fornece orientações e informações agrícolas, folclóricas e religiosas baseadas no senso comum), e mais recentemente, o Dicionário de Poetas Cordelistas do Rio Grande do Norte.

Fonte: NOMINUTO.COM

Morre o poeta José Saldanha

A poesia potiguar ficou mais pobre, morreu hoje, aos 93 anos e em plena atividade poética José Saldanha Menezes Sobrinho, ou Zé Saldanha, como era mais conhecido. Zé Saldanha era o poeta mais velho em atividade e ícone pra todos nós poetas cordelistas. Desde 10 de julho estava internado na Casa de Saúde São Lucas, onde se submeteu a uma cirurgia.

Na ocasião da foto abaixo, na FIART, onde Zé Saldanha era presença marcante.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Novo olhar sobre a antiga tradição da xilogravura


A arte de entalhar imagens em uma matriz de madeira, técnica comumente utilizada como uma espécie de carimbo para ilustrar livretos de poesias popular, está deixando de ser vista com exclusividade nas páginas do tradicionalíssimo cordel. De três décadas para cá, cada vez mais a xilogravura vem ocupando galerias de arte e suas possibilidades estéticas recebendo a devida atenção da academia. Como forma de reforçar esse novo olhar sobre a antiga tradição, três artistas resolveram buscar um ponto em comum ao conceber a exposição "Xilogravuras e Imagens Poéticas", em cartaz até o próximo dia 31 de agosto no IFRN-Cidade Alta. A visitação é de segunda a sexta-feira, das 9h às 20h.
DivulgaçãoXilogravura do cavalo marinho de Rose CatãoXilogravura do cavalo marinho de Rose Catão

A abertura da mostra, que reúne xilogravuras da paraibana Rose Catão, do pintor gaúcho Miguel Mertollo e da poetisa potiguar Neide Santos, está marcada para hoje, às 19h, na galeria de arte da instituição. "Considerando que as linguagens sempre coexistiram, a xilogravura se interliga a pintura e poesia, e juntas trazem à tona uma pluralidade de significados que se manisfesta por mais de um código semiótico", informa a curadoria da exposição, co-assinada por Catão e pela professora de produção cultural do IFRN Mara Mattos. Segundo as curadores, é a partir dessa visão múltipla que o visitante poderá perceber a interação entre xilogravura, poesia e pintura.

Contrastes

A cultura, os costumes e a paisagem nordestinas também inspiram a artista plástica italiana Anna Bloise, que expõe, até o dia 19 de agosto, série de pinturas na galeria de arte da Aliança Francesa de Natal. Intitulada "Contrastes", a mostra alterna suavidade com aspereza, marcas tribais e símbolos modernos, claro e escuro, entre outros contrastes que envolvem o expectador através de expressões que aguçam os sentidos.

"As cores, os odores e a sonoridade provocaram um movimento contínuo em minha mente e se colocaram sempre na vanguarda da minha investigação sobre a vida. Acredito que da experiência nasce a verdade e logicamente, nasce uma arte instintiva, forte e instigante", pontua Bloise, ao buscar explicações para os contrastes pessoais que a levaram produzir essa exposição.

Fonte: Tribuna do Norte

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Festival no Beco da Lama começa hoje

A Cidade Alta vira território musical a partir desta quarta-feira, com a maratona sonora do 'Beco da Lama Festival' Serão 14 noites e duas tardes de apresentações, com bandas e cantores de variados estilos, entre reggae, rock/pop, hip hop, samba-rock, blues, hardcore, brega e algo mais. O projeto é uma comemoração ao primeiro ano do Beco Musical. A programação irá até o dia 31 de agosto, sempre aos fins de semana.

A noite de abertura, hoje às 20h, será com as bandas Camarones Orquestra Guitarrística e Hossegor, ambas fazendo rock instrumental em diversas velocidades e balanços. Na sexta (05) terá Eternamente Jah e Bob Marlon. A programação foi sugerida via Twitter e Facebook, reunindo nomes conhecidos a novatos. Entre os shows que serão apresentados até o fim do mês estão DuSouto, MC Priguissa, Clara e A Noite, Mobydick, Rastafeeling, Orquestra Boca Seca, Rodrigo Lacaz, entre outros.

Serviço:

Festival do Beco da Lama, de hoje a 31 de agosto. Entrada franca, Cidade alta.

Fonte: Tribuna do Norte

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Aluno da EJA publica seus primeiros cordéis


Miguel Arcângelo Campos, aluno da Educação de Jovens e Adultos -EJA - da Escola Municipal Professor João Faustino publica seu segundo cordel dentro do projeto Cordel na Escola.
Seu primeiro cordel teve o mote "Rei dos Cornos",o segundo "Taperoá".
Miguel nasceu no dia 18 de abril de 1961 na cidade paraibana de Taperoá, sendo filho de Inácio Ferreira Campos e Alcina da Silva Campos. Reside no Município de Macaíba desde 1994.
Também é um dos atores do Filme "Os Pés de Benedita" que está sendo gravado na escola e na comunidade do Distrito Industrial e que breve será lançado. Logo em breve também, serão lançados novos cordéis de Miguel.


domingo, 24 de julho de 2011

Começaram as gravações do Filme OS PÉS DE BENEDITA



Começaram as gravações do Filme Os Pés de Benedita neste sábado, 23/07, na comunidade do Distrito Industrial de Macaíba/RN. O filme é fruto de um projeto de Literatura de Cordel na escola iniciado no ano de 2010. Também é fruto do empenho e participação de alunos, funcionários e professores da Escola Municipal Professor João Faustino, comunidade e principalmente da diretora da escola, Edinalva Firmino, que tem dado total e irrestrito apoio a execução do projeto. Agradecer a Lula Borges, que é responsável pela direção e Augusto Cesar no som direto. A comunidade ficou numa agitação só, com a movimentação das gravações. Bom demais!!!




quarta-feira, 20 de julho de 2011

Guardião do romanceiro potiguar


Yuno silva
repórter

Há exatos 40 anos ele descobriu as cores da cultura popular em São Gonçalo do Amarante, e desde então dedica-se à trabalhosa - e prazerosa - missão de revelar o que é que o folclore potiguar tem. Exemplo da máxima 'amor à primeira vista', Deífilo Gurgel encantou-se pelo bailado do Boi Calemba Pintadinho, do Mestre Pedro Guajiru (grupo que hoje está sob a batuta do Mestre Dedé Veríssimo), assim que avistou os brincantes em seus trajes cheios de fitas e espelhos, um encontro que mudou para sempre a vida deste guardião das tradições culturais.

"Era lindo ver aquilo (o Boi), me apaixonei na hora quando vi as roupas dos galantes (brincantes) reluzindo ao entardecer, e não larguei mais", disse o pesquisador, folclorista, escritor e poeta no alpendre de sua casa no Tirol. Do alto de seus 84 anos, o experiente Deífilo reconhece que começou tarde seu trabalho, mas o fato não o impediu de ser visto como autoridade quando o assunto gira em torno do folclore Norte-riograndense. "Depois daquele dia (em 1971), descobri o folclore e comecei a viajar pelo RN para registrar tudo o que estava a meu alcance", lembra.

E é justamente para tratar sobre seus registros ainda inéditos que a reportagem do VIVER procurou o folclorista, que está em plena atividade debruçado sobre a obra "Romanceiro Potiguar". Deífilo Gurgel trabalha há mais de 15 anos nesta publicação, fruto de uma pesquisa de dez anos realizada entre 1985 e 1995. "Essa demora toda é por causa do volume de material coletado durante a pesquisa. É trabalhoso e demorado mesmo, sem falar que vamos nos envolvendo com outras coisas", justifica. "Nem sei quantas horas de gravação cheguei a fazer, mas ouvi uns 300 romances e entrevistei mais de 100 pessoas", enumera.

Entusiasta de primeira grandeza, Gurgel se diz surpreso com a quantidade e qualidade das entrevistas e das descobertas: "Rodei todo o Estado para fazer esse levantamento do que ainda resta dos romances ibéricos imortalizados por Dona Militana, de São Gonçalo do Amarante. Não imaginava que encontraria tanta coisa!". Ele frisa que sua pesquisa vai de encontro à constatação do musicólogo e historiador Mário de Andrade, que circulou pela região no final da década de trinta catalogando as sonoridades nordestinas. "Mário de Andrade reclamou de não ter encontrado romances por aqui, mas temos que ver ele passou um mês e meio no RN e circulou pouco", disse o potiguar. Vale registrar que foi Andrade quem topou com o coquista Chico Antônio, alçando-o ao patamar onde se encontra até hoje.

Para publicar "Romanceiro Potiguar", Deífilo recebeu propostas do deputado Estadual Fernando Mineiro, que ofereceu, entre outras coisas, apoio logístico para digitação de todo o material; e do Senador João Faustino, com quem trabalhou na Secretaria Municipal de Educação de Natal na época que 'despertou' para o folclore - conversa esta mediada pelo advogado, escritor e presidente da Academia de Letras do RN Diógenes da Cunha Lima. "São apoios individuais e Diógenes perguntou se dava para entregar o livro até 15 de agosto, por isso estou trabalhando ligeiro para ver se dá tempo", adianta.

Descobertas

Os dez anos de pesquisa, apoiadas pela UFRN, renderam boas descobertas à Deífilo Gurgel, mas grande parte dos entrevistados já faleceram: "Sei que há gente nova que herdou esse conhecimento dos romances, mas só uma nova viagem para identificar essas pessoas", esclarece o pesquisador. O potiguar de Areia Branca contou que o "romance mais interessante que conheci foi 'Milagre do Trigo', apresentado por Dona Militana. Só ela sabia cantar e cheguei a chamar temporariamente de 'Jesus Cristo e o Lavrador', até que conheci o professor português JJ Dias Marques, da Universidade de Algarves em uma evento em Sergipe. Ele me disse que já tinha ouvido o romance, mas que só tinha conhecimento de versões em espanhol", disse.

Outra grande descoberta do ex-professor de Folclore Brasileiro do Departamento de Artes da UFRN foi o romance "Paulina e Don João", recitado por Dona Maria de Aleixo em Nísia Floresta. "Dona Maria mescla elementos italianos, uma raridade no RN pois geralmente os temas são ibéricos (Portugal e Espanha)", enfatiza.

Fabião das queimadas

A terceira descoberta destacada por Deífilo foi o romanceiro Pedro Ribeiro, em São Pedro do Potengi. De acordo com Gurgel, Seu Pedro conhecia cantigas antigas dos tempos áureos da pecuária potiguar. "Cantou vários fragmentos de romances criados por Fabião das Queimadas (1848-1928), mas fiquei impressionado mesmo foi com o 'Cavalo Moleque Fogoso'. Fabião era negro, ex-escravo e analfabeto, mas é o único compositor de romances", garante o folclorista. "Cascudo dizia que Fabião era um poeta medíocre, eu não acho", sentencia.

Segundo as pesquisas, no RN só há romances de origem ibérica, principalmente portugueses, que representa cerca de 80% de tudo o que se conhece. "Para melhor compreensão, estabeleci uma espécie de classificação dos romances: de Portugal temos o 'Romance Palaciano', que trata das intrigas da nobreza; os 'Romances Religiosos' e o 'Romance Plebeu'. Já entre os brasileiros temos o 'Romance da Pecuária', 'Romance do Cangaço' e os 'Romances Burlescos', cantados nos circos de antigamente", explica.

Na opinião do folclorista, são três as romanceiras de maior importância no RN: Dona Militana, que sabia mais de 30 romances; Dona Jovina Monteiro, conhecedora de outros 20; e Maria de Vito, da praia de Caraúbas. "Maria de Vito não sabia muitos romances, mas tinha algumas raridades para mostrar como a 'Xácara dos namorados', que tem pouquíssimas versões no Brasil", orgulha-se.

Além dessas raridades, Deífilo disse que o livro trará três romances inéditos: "São romances marítimos do Fandango que escutei de Seu Atanásio Salustino, pai de Dona Militana. São eles o 'Romance Capitão da Armada', Romance do Corsário da Índia', e a 'Xácara da Nau Catarineta'. São pérolas ainda não publicadas em nenhum outro lugar. Igual este livro no Brasil, com essa temática de romances, só outros dois: um de Jackson da Silva Lima (SE) e outro de Doralice Xavier (BA)", garante.

Biblioteca digitaliza romances

As entrevistas foram gravadas em fitas K7, e ficaram guardadas por muitos anos. Com receio de perder o material, Deífilo Gurgel entrou em contato com instituições e a Biblioteca Amadeu Amaral, do Rio de Janeiro, ligado ao Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular - Museu do Folclore, se interessou pela pesquisa. "Enviaram duas funcionárias que levaram as fitas para serem digitalizadas, depois me devolveram os áudios em CD e DVD", lembra.

A proposta inicial de Gurgel é lançar o livro, cuja abertura será assinada por Paulo de Tarso Correia de Melo (presidente do Conselho Estadual de Cultura) com CDs de áudio. "Não entendo muito de música, mas me emociono quando ouço romances como a 'Bela Infanta', apresentada por Dona Militana. Deve ter muita coisa para se ouvir por aí ainda, mas só com um projeto elaborado pelos órgãos culturais podemos registrar isso. Infelizmente os Governos não estão interessados em preservar essa memória", lamenta o autor, que vê o município de São Gonçalo do Amarante como o grande celeiro da cultura popular norte-riograndense. "SGA preserva todos os costumes antigos e a prefeitura de lá precisa atentar para isso e valorizar", aposta.

Passando por uma fase difícil, quando se recupera de uma cirurgia realizada em maio para extrair um tumor benigno na próstata, Deífilo diz que está entre os parentes que mais "esticaram a vida" e pretende, além de lançar "Romanceiro Potiguar", lançar mais dois ou três livros antes de "atravessar o lago da solidão" - diz citando soneto recém escrito. "Estive meio deprimido, mas já estou me recuperando", avisa.

Fonte: Tribuna do Norte

domingo, 17 de julho de 2011

Poesia em forma de forró


Poemas e cordéis que fazem dançar. O cantor e compositor cearense Alcymar Monteiro é marca registrada do forró de raiz, e se junta neste sábado a outra grife do gênero, o Forró da Lua. A poeira vai levantar a partir das 21h, numa noitada que terá ainda o forrozeiro Zé Barros. Alcymar transforma a vida do sertanejo em música, e mostrará mais uma vez como se leva um forrobodó pelas rédeas de vaqueiro.
divulgaçãoAlcymar Monteiro é um dos ferrenhos seguidores do forró de raizAlcymar Monteiro é um dos ferrenhos seguidores do forró de raiz

Sucessos para fazer o povo dançar não faltam. Entre eles estão "Nem olhou pra mim", "Vaquejada", "Ave de arribação", "Cabriola", "Carnaval de rua", "Cavaleiro alado", "Cidadão nordestino", "Colo e cafuné", "Eu quero ver você dizer que eu sou ruim", "Festa de Santo Antônio", entre outros. Certamente não faltarão as versões para mestres como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos e Elino Julião, eternas inspirações.

Alcymar não é intitulado "Rei do Forró" à toa. Em mais de três décadas de carreira, já teve suas músicas gravadas por grandes nomes da MPB como Zé Ramalho e Alceu Valença. Já fez duetos com Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elba Ramalho, Marinês entre outros. Lança discos desde 1985. Seus últimos trabalhos saíram no ano passado, o "Vaquejadas e Cavalgadas Inesquecíveis", e o CD/DVD ao vivo "Tradição e Tradução", onde mantém seu estilo de orgulho nordestino, com balanço e pesquisa de ritmos. Com Alcymar, história vira arrasta-pé.

Serviço:

Forró da Lua com Alcymar Monteiro. Sábado, às 21h, na Fazenda Bonfim (entrada da Lagoa do Bonfim). Vendas no Posto São Luiz II (Prudente de Morais), Posto Planalto, Chinatown (Natal Shopping).

Fonte: Tribuna do Norte

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Vaqueiros podem ter profissão regulamentada no Brasil

Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o Projeto de Lei que reconhece a profissão de vaqueiro em todo o território nacional.

Por Marília Rocha


Os profissionais que trabalham com o esporte vaquejada podem ter a profissão reconhecida nos próximos meses. É que o projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados foi aprovado nesta quinta-feira (14) pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

O projeto de Lei 2.123/07 reconhece a profissão de vaqueiro em todo o território nacional e identifica os vaqueiros como "profissional que realiza práticas relacionadas ao trato, manejo e condução de animais do tipo bovinos, caprinos, ovinos, bubalinos, equinos e muares".

O relator substituto da matéria, o deputado federal Felipe Maia (DEM) acredita que o projeto representa um avanço para a categoria, pois foram inclusos os direitos a seguro de vida e de acidentes em favor do vaqueiro. "A proposta visa contemplar mais uma classe de trabalhadores com vários benefícios. Todo cidadão tem direitos e atuamos de forma a alcançar um número maior de pessoas", comentou o parlamentar.

Se aprovado, os vaqueiros poderão receber indenizações por morte ou invalidez e ressarcimentos de despesas médicas decorrentes de acidentes no trabalho.

Agora, a matéria seguirá para votação no Plenário da Câmara e depois será encaminhada para o Senado.

Fonte: Nominuto.com

Conexão Cultural Tigre em Goianinha

A Conexão Cultural Tigre/ICRH - Cinemóvel, do projeto Gira Brasil 2011 começou pelo Rio Grande do Norte a viagem que passará por mais de 30 cidades levando produções do cinema brasileiro. Hoje, o Cinemóvel estará em Goianinha, em sessões de 8h, 10h, 13h30 e 15h30 no bairro Novo Horizonte, ao lado do Ginásio Poliesportivo. A platéia vai assistir a O Bem Amado, regravação do clássico televisivo dos anos 70, O Ano em que meus Pais Saíram de Férias, Chico Xavier, entre outras. Tudo em uma tela de 120 polegadas, em ambiente climatizado e com isolamento acústico. A sala escura com 32 lugares é montada em um caminhão especialmente adaptado para isso. Depois do Rio Grande do Norte, o projeto passará por Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe.

Fonte: Tribuna do Norte

Rio Pitimbu em Cordel


Meu mais novo cordel, Rio Pitimbu, de nº 104, traz muitas informações acerca desse manancial tão importante para nossa região. Além do que, evidencia o local da sua nascente, que fica localizada no município de Macaíba, minha terra querida, na Comunidade Lagoa Seca, precisamente na área do Assentamento do Quilombo dos Palmares.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Cultivando Arte 4

GRUPO PEDUBREU APRESENTA:



“4° CULTIVANDO ARTE”

“Cultura é o ato de cultivar”

O “Cultivando Arte” tem como objetivo melhorar a aproximação dos artistas e de seu fazer cultural inter-relacionado com a comunidade, buscando assim melhoria na qualidade dos serviços culturais oferecidos. Fomentando gratuito e mensalmente shows musicais e exposições artísticas visual tendo como palco para a 4° edição o Espaço Galeria Biombo da Arte, No próximo dia 09 de julho o Evento terá a participação dos seguintes cultivadores:

França D'Lima cantando MPB, e Será o Benedito... Grupo musical que canta e Toca um Pé de Serra arretado, grande destaque da Cidade Samburá e de diversos arraiás do RN. O grupo SERÁ O BENEDITO, surgido há quase uma década, é formado por quatro músicos: Tião do acordeom na sanfona, Aldair Miranda no violão e vocal, Dinei Teixeira na Zabumba e vocal e França D’Lima no triângulo e Voz principal, todos oriundos do meio artístico popular de São Gonçalo do Amarante/RN. O quarteto traz em seu repertório o mais autêntico som da música regional nordestina, que tem como tema principal da sua base, o xote e o baião, dentre outros ritmos liquidificados com o cancioneiro popular em ritmos como Coco de Roda, Reggae, característicos da miscigenação cultural brasileira, cantados e eternizados em vozes como a do rei do baião Luiz Gonzaga, do Trio Nordestino, Os três do nordeste, Flávio José, Genival Lacerda, Jackson do Pandeiro, Gilberto Gil e outros tantos que encantaram gerações e até hoje ainda encantam.

Artes Plásticas

O Biombo da Arte abre as portas para a exposição do Artista Potiguar Francisco Oliveira, filho da comunidade Sitío Breu - São Gonçalo do Amarante, professor de artesanato descobriu o dom da arte através da esposa, após passar por um período crítico de saúde, hoje tornou - se o 1° homem são-gonçalense especializado na tipologia do Crochê, arte em linhas que tece a história e a memória do município como berço do artesanato potiguar. No ato da 4° edição se fará também uma homenagem à arte do acordeom instrumento mestra do forró.


Serviço: Shows com França D’Lima e Forró Será O Binidito
Mostra Visual: Francisco Oliveira – A Arte do Crochê
Participação Especial da Catita de Songa
Onde: Galeria Biombo da Arte – Rua Alexandre Cavalcanti - São G. do Amarante
Dia: 09/07/2011
Que horas: 19h00
Quanto: Entrada Franca
Informações: (84) 8809-0452
www.myspace.com/pedubreu

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Festejados fora de casa

Publicação: 29 de Junho de 2011 às 00:00

Yuno Silva
repórter

O velho ditado popular 'casa de ferreiro, espeto de pau' ronda os grupos folclóricos e de cultura popular do Rio Grande do Norte, que pelejam para garantir o transporte e a participação na 47ª edição do Festival Nacional de Folclore de Olímpia, município do interior de São Paulo distante cerca de 450 km da capital paulista. Os potiguares serão os grandes homenageados do evento, a ser realizado entre os dias 23 e 31 de julho, mas, até o momento, apenas três, dos sete grupos do RN oficialmente escalados, estão com as passagens devidamente articuladas pelo Sesc Catanduva, também de São Paulo. Hospedagem e alimentação serão oferecidas pela produção do Festival.
Isaías CarlosPrincipal grupo convidado, o Pastoril de Dona Joaquina, de São Gonçalo, destaque até no cartaz do festival, ainda não garantiu a verba para as passagensPrincipal grupo convidado, o Pastoril de Dona Joaquina, de São Gonçalo, destaque até no cartaz do festival, ainda não garantiu a verba para as passagens

Ou seja, apesar da homenagem prestada ao RN, os gestores locais ainda não confirmaram apoio. A caravana potiguar segue para Olímpia com 280 pessoas, de 22 municípios, levando na bagagem um pouco da culinária típica norte-riograndense, do artesanato, das manifestações populares e das tradições culturais que perduram de forma diferenciada no Estado - Boi de Reis, Pastoril, Congos, mamulengo, renda de bilro, rabecas, grude, tapioca, entre outras referências potiguares estão na lista.

"Os grupos de cultura popular do Rio Grande do Norte se destacam no contexto nacional por manter referências tradicionais arraigadas. Mesmo com o diálogo da cultura popular com elementos modernos, contemporâneos, é aqui que ainda são encontrados vestígios originais dos costumes seculares que desembarcaram com os ibéricos", festeja Sephora Bezerra, neta de Mestra e herdeira do Pastoril Dona Joaquina, de São Gonçalo do Amarante, grupo eleito como ícone principal do evento - inclusive, o cartaz oficial de divulgação traz estampada foto do grupo, que ainda aguarda confirmação de apoio por parte da prefeitura de São Gonçalo do Amarante para chegar até São Paulo.

Além do Pastoril Dona Joaquina, outros seis grupos deverão seguir para o interior paulista: o Pastoril Estrela do Mar, de Barra de Maxaranguape; os Cabocolinhos e os Congos de Guerra de Ceará Mirim. Os únicos que já estão de malas prontas, devido apoio do Sesc Catanduva (SP), são o Boi Calemba Pintadinho, também de São Gonçalo; e o Rei do Congo e Os Caboclos, ambos do município de Major Sales. "Esta semana deveremos receber respostas sobre as solicitações enviadas aos municípios que estarão representados no Festival", adianta Sephora, membro da Comissão Estadual de Folclore e integrante da equipe local de produção, equipe também formada por Ked Mendes, Wecsley Cunha e Márcia Moreno (representante da FJA).

O Instituto Câmara Cascudo - Ludovicus está na lista dos apoiadores, e a Fundação José Augusto se comprometeu em fornecer o material gráfico a ser distribuído durante o Festival, mas sem verba para as passagens; enquanto isso a Fundação Cultural Capitania das Artes adianta que não dispõe de recursos para colaborar com a viagem de outros dois grupos: o Araruna, das Rocas, e o Congos de Calçola da Vila de Ponta Negra.

É muito pouco diante da intenção das duas Fundações em querer transformar Natal na capital internacional durante o mês de agosto.

O galo branco e o pastoril

O Festival Nacional de Folclore de Olímpia escolheu o Pastoril Dona Joaquina (SG Amarante) para homenagear por causa da participação assídua do grupo nos últimos cinco anos do evento. Outro fator importante para a escolha do grupo é o trabalho desenvolvido com embasamento teórico. Munida de registros originais da avó e da mãe, a professora Sephora Bezerra, herdeira do Pastoril, resolveu retomar as atividades do grupo há cerca de sete anos. "O Pastoril Dona Joaquina passou 26 anos desativado, mas o grupo está renovado com a participação de filhas e netas de antigas pastorinhas. Trabalhamos na mesma linha dos mestres e estamos recuperando a paixão dos brincantes", comemora.

A figura do galo branco, visto como símbolo do artesanato e do folclore potiguar, será outro ícone bastante propagado durante o Festival.

Criado pela artesã Dona Neném, de Santo Antônio do Potengi, ainda na primeira metade do século 20, o galinho foi amplamente divulgado na época do então prefeito Djalma Maranhão. "Inicialmente a peça era utilitária, quando Dona Neném moldava uma bilha (quartinha) para guardar água no formato do galo. Só depois que o objeto passou a ser decorativo", disse Ked Mendes. "Ela fazia a peça com barro branco, e pintava motivos florais (xananas) com pigmentos orgânicos", disse. Mendes informou que o galo branco foi citado em livros por Câmara Cascudo, Deífilo Gurgel, Severino Vicente e Iaperi Araújo.

Durante o evento no interior de SP, os participantes receberão como lembrança um galinho branco de tecido produzido por professores de escola pública de Olímpia. Confira programação completa na página eletrônica www.folcloreolimpia.com.br.

Espaço potiguar vai de Cascudo a Veríssimo de Melo

A delegação potiguar, que propôs como tema central "Tradição e contemporaneidade do Folclore Potiguar", ocupará estande de 610 metros quadrados em Olímpia, batizado de "Espaço Luís da Câmara Cascudo".

Neste pavilhão serão montados espaços temáticos para ressaltar cada uma das vertentes propostas na programação: o "Espaço Veríssimo de Melo" abrigará seminários e palestras de nomes como o folclorista Severino Vicente e Anna Maria Cascudo Barreto; nos espaços "Maria do Santíssimo" e Chico Daniel" serão montadas 22 exposições fotográficas, entre as quais "Dona Militana: Imagens e Versos", "Os Mártires de Cunhaú e Uruaçu - A Saga da Fé", "Cores do Folclore Potiguar" e "Brinquedos Populares Tradicionais Potiguares".

O "Espaço Dona Militana" engloba mostra de vídeos e documentários sobre Elino Julião, Chico Daniel, Chico Antônio, entre outros.

Jesuíno Brilhante e Fabião das Queimadas, na programação

O longa "Jesuíno Brilhante", de Willian Cobett e o documentário Fábião das Queimadas", de Buca Dantas, também estão na programação; no "Espaço Nísia Floresta" haverá lançamentos de livros; enquanto a feira de artesanato ocupa o "Espaço Dona Neném". A casa de taipa personifica o "Espaço Chico Antônio"; os artistas populares (rabequeiros, emboladores, mamulengos) estarão acomodados no "Espaço Fabião das Queimadas"; e a culinária típica está garantida no "Espaço Ginga com Tapioca".

Fonte: Tribuna do Norte

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Radiocumentário potiguar sobre Dona Militana fica com 2º lugar em Mostra Nacional realzada na Cinemateca Brasileira

O radiodocumentário "Dona Militana: a voz que conta e canta a nossa cultura" representou o Rio Grande do Norte ficou no festival Mostra Nossa Onda, realizada na Cinemateca Brasileira em São Paulo, levou o 2º lugar. O documentário foi um dos contemplados entre os 297 projetos inscritos no Concurso de Apoio à Produção de Obras Radiofônicas Inéditas, do Ministério da Cultura.

A Mostra Nossa Onda, realizada na semana passada, ainda premiou os três melhores trabalhos, dos 52 programas radiofônicos selecionados nas regiões Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Além de concorrer aos prêmios nos valores de R$ 10 mil, R$ 6 mil e R$ 3 mil, os 52 programas, nos gêneros Radiodocumentário e Radioconto, entrarão na grade de transmissão de aproximadamente 1.500 emissoras de rádio comunitárias de todo o país.

O radiodocumentário potiguar entrelaça romances e relatos de pessoas que acompanharam de perto, a vida e a obra de Dona Militana, a Cancioneira do Sítio Oiteiros no Rio Grande do Norte, como o folclorista Deífilo Gurgel, o produtor cultural Dácio Galvão, além da filha Benedita Salustino. Militana cantou romances medievais sobre reis, princesas, amores impossíveis e guerras, e é considerada a Maior Romanceira do Brasil.

O radiodocumentário foi realizado por uma equipe de cinco amigos radialistas e jornalistas de Natal: Edivânia Duarte (Direção), Poliana Santos (Roteiro), Adriana Severo (Produção), Hélcio Torreão (Edição) e Elizama Lemos (apoio).

Fonte: Tribuna do Norte

Poeta Xexéu


João Gomes Sobrinho, ou simplesmente Xexéu, o poeta das Lajes. É natural do Município de Santo Antônio/RN, reside na comunidade Lajes, localizada na zona rural do município, onde até hoje mora com a mulher e doze filhos, tendo mais sete filhos que já se casaram. Nasceu no dia 13 de maio de 1938, filho de Elizeu Gomes de Carvalho e de Genuína Gomes de Carvalho. Desde a adolescência ouvia grandes cantadores que o influenciou através da poesia cantada ao som da viola. Como não sabia ler, nem escrever, comprou uma cartilha do ABC que carregava guardada em seu chapéu e onde encontrava uma pessoa que tinha tal domínio, pedia uma ajuda aqui, pedia ajuda ali, e em pouco tempo já estava ele lendo e escrevendo. Desta forma, começou a escrever e recitar seus próprios versos, sua fama ia se espalhando, chegando até a dividir saraus poéticos com Patativa do Assaré, Antônio Dias, Chico Traíra, entre outros poetas consagrados. É autor de uma quantidade ainda não conhecida de cordéis, estimamos que mais de uma centena, entre eles: Vozes da Natureza; Sibele Campeã de Vaquejada; A Bagunça do Preá; Onde a Poesia Mora; Chico Sombra de Onça e a Cobra da Cumbuca; O Apelo do Concriz; O Retirante da Seca; A Terra pede Socorro; O caboclo sonhador e o Bicudo no Brasil. Em 2008, foi lançado o CD: Xexéu, o poeta das Lajes. Xexéu já realizou apresentações em vários lugares do Brasil, como São Bernardo do Campo/SP, Curitiba/PR, e Brasília/DF. Em Natal e no interior do RN já são incontáveis as apresentações. Na ocasião da foto acima, um encontro dos poetas Boquinha de Mel, Cici, Hailton Mangabeira e Xexéu, na Esquina das avenidas sete com a dois, no Bairro do Alecrim, Natal/RN. Um momento de alegria. Para entrar em contato com Xexéu, é só ligar: (84) 9908-0382

domingo, 26 de junho de 2011

Zé Saldanha: “Criei-me como um cavaleiro medieval errante, no polígono da poesia popular, no reino dos cantadores.”


NATAL - Aos 90 anos de, José Saldanha Menezes Sobrinho, ou simplesmente Zé Saldanha, como gosta de ser chamado, é o cordelista mais velho em atividade no Rio Grande do Norte, um dos poucos da sua idade exercendo a Literatura de Cordel no Brasil. Nascido e criado na Fazenda Piató, em Santana dos Matos, mudou-se várias vezes de casa com a família até fixar residência em Natal, mas nunca deixou de ser um matuto sertanejo, ligado as suas raízes.
Conforme o poeta, ele é do tempo em que os homens mais sabidos só possuíam 3 tipos de livros: a Bíblia, e Lunário Perpétuo e o Cordel. Depois de casado, o poeta conduziu jumento de carga, foi cantador de viola, dono de mercearia em Currais Novos e foi empresário no ramo de sapatos, onde vendia seus produtos em feira livres recitando poesia. “No tempo em que nasci e me criei, o repente e o cordel eram o que havia. O cordel era toda a beleza”, ressaltou o poeta.
Zé Saldanha já publicou mais de 200 livretos de cordel, livros em prosa, além de ser um dos únicos cordelistas que ainda mantêm a tradição de publicar anualmente almanaques (livretos onde o cordelista faz previsões sobre o tempo, fornece orientações e informações agrícolas, folclóricas e religiosas baseadas no senso comum), sendo citado em inúmeras antologias de cordel. Zé Saldanha é também o único representante do Rio Grande do Norte na conceituada coleção “Projeto Biblioteca de Cordel”, coordenada pelo escritor Joseph Luyten, da editora paulista Hedra.
Zé Saldanha já publicou quase mil folhetos, está e um dos verbetes do Dicionário de Poetas Cordelistas do RN, de Gutenberg Costa de 2004, e é o único representante do RN na coleção brasileira da editora Hedra, de São Paulo/SP, 2001. Seus familiares e amigos estarão no dia 23 próximo, na Igreja de São Pedro, ás 19 horas, no Bairro do Alecrim, para numa missa agradecerem pelos 90 anos do poeta.
O primeiro folheto foi “O preço do algodão e o orgulho do povo”, foi publicado em 1935, aos 17 anos. “O algodão era a riqueza da época, chamava-se o ouro branco do Nordeste. Meu pai era um grande lavrador de algodão e no início o dinheiro não era muito, mas depois foi melhorando e era todo mundo cheio do dinheiro do algodão. Todo mundo tinha dinheiro no bolso, o apanhador, a mocinha, mulher, menina, velha, todo mundo com o seu bolo de dinheiro. E aí começaram a ficar orgulhosos, beber, farrear, e foi isso que me inspirou”, relatou o poeta.

O Repórter das Rimas

Sobre a atividade como sapateiro, o cordelista conta que resolveu montar uma sapataria e empregou muita gente. Nesta sapataria, o poeta colocou seu sobrenome, “Calçados Menezes” e dentro das caixas de sapatos, Zé Saldanha colocava uma propaganda que dizia: “Para comprar calçados eu aviso aos meus fregueses/ eu ando de pé descalço, semanas, dias e meses./ Fico até de pé rachado, porém só compro calçados, dentro da fábrica Menezes”.
“Antigamente, quando eu chegava à feira com os cordéis, arrudiava de gente para prestar atenção, e eu ficava lendo, fazendo leilão dos meus livretos e vendendo os calçados”, revelou o Zé Saldanha, acrescentando que foi durante essa época que ganhou o título de “Reporte do Povo”, por retratar o cotidiano do sertão em poesia e para levar as notícias dos fatos que aconteciam no Brasil e no mundo para o sertão. Zé Saldanha usava seus versos “porque naquele tempo não tinha televisão e poucos possuíam um rádio”.
Sua reportagem em poesia mais famosa foi a partir de um acidente em Currais Novos, que vitimou 25 pessoas na região. O acidente aconteceu pela manhã e, à tarde, num local onde não havia nenhum meio de comunicação, Zé Saldanha já tinha um folheto pronto chamado “A verdadeira história do monstruoso acidente em Currais Novos”, contando toda a verdade sobre o acidente. Na época, mais de quatro mil exemplares do cordel foram vendidos.
Além de poeta cordelista, Zé Saldanha criou a Associação Estadual dos Poetas Populares do Rio Grande do Norte (AEPP), em 1975, agregando repentistas, emboladores de coco, aboiadores, glosadores e poetas de cordel, entre outros rtistas. Além disso, em 1979, travou batalha junto ao Ministério do Trabalho pelo reconhecimento da profissão de poeta popular, visando a conquista de direitos trabalhistas para a categoria. Em 1993, foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira dos Estudos do Cangaço (SBEC) e, atualmente, é membro da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN.
O poeta ficou viúvo há mais de uma década. Foi casado por 52 anos com Jovelina Dantas de Araújo Saldanha, com quem teve oito filhos, “todos formados”. Dos oito, apenas o mais velho, Rosáfico Saldanha Dantas, seguiu os passos do pai e também escreve cordel. “Ele escreve tudo que colocarem para ele. Livro, cordel, qualquer coisa”, disse o poeta, enaltecendo os versos do primogênito, na certeza que o ofício da poesia foi herdado por um dos seus. Atualmente, sua obra é fonte de pesquisa em trabalhos acadêmicos como monografia ou tese de mestrado e doutorado.


Poemas

Morte, Vida e Lembrança
de Severino Ferreira

Sou o repórter das rimas
De tudo que acontecer,
Deus me deu este destino
Eu tenho que resolver,
Mas este é tragicamente
Tão duro, tão comovente
Que dói a gente escrever
(...)

Quisera que a morte trágica
Mudasse de Região,
Não passasse mais no Nordeste
Fanzedo destruição
Nos poetas de primeira,
Levou o nosso Ferreira
Sem a mínima compaixão

Não sei por que motivo
A morte é tão imprudente,
Contra os nossos cantadores
Dura, cruel, insolente,
Matando nossos poetas
Só sendo inveja das metas
Da poesia da gente


Matuto no Carnavá

Matuto é matuto mesmo
É matuto de verdade.
Que diabo qu’é matuto
Se enfiando na cidade?
Brincando inté carnavá!
Eu brinquei mas me dei má,
Num conto nem a metade!
(...)

Ela perguntou baixinho:
Você tem algum dinheiro?
Eu disse: Tenho, pru quê?
Ela respondeu ligeiro:
Então me dê preu guardá,
Prus ladrão não lhe robá,
Que aqui só tem marreteiro

Foi pegando meu dinheiro,
E tratando de correr.
Como quem ia guardá,
Mas se virou prá dizer:
“Qué qui pensa matutão?
Eu num sou Maria não.
Sou Machão qui nem você!”

Fonte:
Alexandro Gurgel, Jornalista
http://www.natalpress.com/index.php?Fa=aut.inf_mat&MAT_ID=20334&AUT_ID=32

sábado, 25 de junho de 2011

Braga Santos, Hailton Mangabeira e Manoel Silva

É um prazer enorme encontrar Braga Santos e Manoel Silva, Braga, um multiartista que impressiona pela qualidade do seu trabalho, quer seja nos painéis espalhados pela cidade, quer seja nas ilustrações em capas de cordéis de vários autores, ou mesmo pela sua poesia. Manoel Silva, um ícone da poesia potiguar, seu nome representa bem nossa classe. É referência e orgulho para todos nós. Um abraço muito forte aos dois amigos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os Cordéis de Hailton Mangabeira


1. Macaíba, Manancial de Nobreza ;
2. Os Níveis da Escrita ;
3. Uva Agora é Melancia ;
4. Terra dos Mártires ;
5. Joãozinho e os Seus Dentes ;
6. A Saga do Rio Jundiaí em Busca da Sobrevivência;
7. Anador com Poder de Viagra ;
8. De Urtigal à Nova Cruz ;
9. Salvem Nossas Tartarugas ;
10.Zé do Monte ;
11.Casa de Cultura Popular de Macaíba ;
12.O Ciferal ;
13.Lagoa do Bonfim ;
14.De Cana Brava à Espírito Santo ;
15.Balaio de Gatos ;
16.Os Pés de Benedita;
17.Compadre Deca ;
18.Sexo Frágil uma Ova!;
19.O Doido de Berto ;
20.A Escola de Ontem e de Hoje;
21.Nísia Floresta;
22.Auta de Souza;
23.Henrique Castriciano;
24.Universo do Músico ;
25.Celebridade ;
26.CDL – Macaíba ;
27.Paulo Freire: Cidadão do Mundo ;
28.A Motoca ;
29.A mulher que virou Sapo;
30.Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante ;
31.Augusto Severo;
32.Amigos da Água;
33.Como utilizar a Energia Elétrica ;
34.Geografiando o Brasil;
35.Alberto Maranhão;
36.Monsenhor Expedito;
37.O Homem que Tinha a Língua Grande Demais ;
38.Sonho de Professor ;
39.Vendedor de Bonecos ;
40.Tavares de Lyra ;
41.A História do Tangram ;
42.O Encontro de Hailton e Xexéu ;
43.ABC, O Mais Querido ;
44.Igreja Matriz de Macaíba ;
45.Solar do Ferreiro Torto ;
46.Casarão dos Guarapes ;
47.Alecrim F.C.
48.O Segredo da Receita ;
49.Como Economizar Energia Elétrica ;
50.D. Zefinha, Minha Mãe;
51.Amazônia ;
52.Namoro de Ontem e de Hoje ;
53.O Homem abduzido;
54.Municípios do RN;
55.Monte Alegre;
56.Salvem o Mangue;
57.Lei Maria da Penha;
58.Praias do RN;
59.Burocracia Celestial
60.Dona Militana;
61.Eva Viu a Uva
62.A Peleja da Concessão na Radiodifusão
63.O Pobre e o Rico;
64.Escola Ativa;
65.O Mundo Lá Fora;
66.Zila Mamede;
67.Leite de Vaca (com água);
68.A Diversidade Cultural de São Gonçalo do Amarante
69.Venera Dantas;
70.Dr. Onofre Lopes;
71.Quem Cola Não Sai da Escola;
72.São Gonçalo FC;
73.Todos Contra a Dengue;
74. O Fazendeiro e o Vaqueiro;
75. Os Nomes dos Candidatos
76. O Antes e o Depois;
77. Universitária FM 88,9 - A Universidade da Música;
78. O Matuto e o Doutor;
79. América Futebol Clube;
80. Escola Doméstica de Natal;
81. Educação no Trânsito;
82. Rio Potengi;
83. Milton Santos: O Maior Geógrafo Brasileiro;
84. 300 Anos de São Gonçalo do Amarante;
85. O Ponto é a Ponte;
86. Padroeiros de São Gonçalo do Amarante;
87. Dom Joaquim de Almeida, O Primeiro Bispo do RN;
88. O Homem que Matou a Geladeira;
89. A Saga de Helena;
90. Carta para Lindóia;
91. Ojuara, O Homem que levou Chifre do Lobisomem;
92. Escola Versus Televisão, Versus Internet, Versus...
93. Escola e Professor;
94. Parnamirim, Trampolim da Vitória;
95. Benedito Pinheiro Borges;
96. O Livro Amarelo;
97. O Defunto era Maior;
98. A Difusão da Cultura Afro-Brasileira;
99. O Soldado e o Coronel;
100.Tempo de Menino;
101.Nordeste;
102.Candidato Rico, Candidato Pobre;
103.A História do Café.

Palestras, apresentações, exposições, oficinas e Pedidos: hailtonmangabeira@hotmail.com ou pelo telefone:(84)8855-0757